sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Jornalista Raimundo Lima

Há pouco tempo, postei aqui no Blog, um artigo sobre a música do jornalista Raimundo Lima, gravada pelos artistas mais importantes de Angola, fazendo parte do lançamento de um Disco de Incentivo à Alfabetização. Um acontecimento importante, com a presença de ministros e outras autoridades, entre os quais, este jornalista baiano estava como o centro das atenções. Digo isto, para justificar o quanto esta personalidade pode significar para o meio artístico, cultural e jornalístico da Bahia e do Brasil, por duas vezes, presidente do sindicato dos jornalisatas da Bahia, foi também chefe de redação do Jornal do Brasil (escritório da Bahia), e redator do Tribuna da Bahia, uma figura excêntrica, atenta para os problemas sociais, participativa e atuante. A Bahia deveria reconhecê-lo com brevidade, a mídia deveria aplaudi-lo sem restrições. É o que Angola está fazendo no momento, já que este reconhecimento não foi possível em sua propria terra. Ao deixar o Jornal Tribuna da Bahia, para reformular um jornal importante em terras Angolanas, o jornalista, colocou suas coisas em um mochila e partiu rumo ao desconhecido. Deixara para trás, apenas a família, os amigos e o seu emprego de redator. Certamente, as suas expectativas eram intrigantes, mas a fé o colocava na condição de um Condor, voando nas alturas, buscando desafiar os seus próprios limites.
Um dia, eu liguei para o seu escritório no jornal e perguntei por ele. Do outro lado da linha, uma atendente me respondeu solícita: “ele foi para Angola!” Tive saudades e fiquei pensando naquele amigo que eu havia conhecido em uma situação especial, apresentado por uma outra amiga que já não está mais entre nós. O tempo passou e, para a minha felicidade, descobrir o seu e-mail pessoal.
Chegando em Angola, Raimundo Lima, foi recebido com respeito, cultivou a sua credibilidade, fundou algumas empresas do ramo de comunicação e hoje também trabalha para o governo daquele país, sendo aplaudido pela sua altivez e sensibilidade nos negócios. Circula entre os maiorais, mas não esquece o seu compromisso com as classes menos favorecidas. Membro da AEBRAN – Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola, procura sempre encontrar uma maneira de está formalizando alguns projetos para aliviar a dor dos refugiados de guerra ou dos portadores de Aids que também são muitos naquele lindo país. Eu mesmo tive a satisfação de participar de um desses projetos com a minha primeira parceria com este amigo, em 2005, na realização de alguns shows dos artistas Zezé Motta e Luiz Melodia dentro da programação da Semana do Brasil que resultou na gravação de um CD ao vivo, sendo doados com a venda dessa obra, 30 mil dólares aos portadores de HIV em Luanda. Depois disso, nos anos posteriores, tivemos o prazer de levar o Zeca Baleiro, Jorge Aragão, Olodum, Banda de Boca e Elba Ramalho.
Para mim, realmente, foi uma felicidade poder compartilhar de alguns dos seus projetos e poder visitá-lo em Luanda algumas vezes e constatando de perto o seu progresso no meio daquele povo maravilhoso, de energia forte e arrebatadora. Testemunhei a sua evolução e a sua paixão de viver com aquela gente, de fazer parte da reconstrução de um pais promissor, como peça fundamental, porque é ele que também cuida de sua alfabetização, Luanda é sua Rainha, Luanda é o seu amor.
Todavia, não só constatei o seu contentamento em terras africanas, mas daqui da Bahia mesmo, fiquei empolgado com um e-mail que transcrevo abaixo que ele me passou, tecendo comentários do seu último aniversário:
“Juahrez, vou dividir contigo,” disse ele, “a alegria da surpresa da primeira comemoração do meu aniversário aqui em Luanda. O Grupo de Mulheres Africanas fez uma Gala especial, com muita gente importante, e show com artistas famosos no Futungo de Belas, a antiga casa do presidente da republica - há um salao de festa maravilhoso, com uma piscina gigante ao meio. Ali na festa com este grupo de mulheres, fui supreendido depois da meia noite com uma homenagem. No palco, uma dirigente fez um pronunciamento me homenageando na comemoração do meu aniversário, tocou parabens, me trouxeram um enorme bolo e apaguei a vela. Entre os presentes, ao meu lado, o ministro da Educação, Burity e vários amigos brasileiros e angolanos que estavam na festa. Foi uma bela comemoração. De manhã, os colegas ofereceram um belo café da manhã no escritório da Casa dos Projetos. Foi muito bom”.

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